Quarta-feira, 24 de Agosto de 2011 - 08h20
Restrições a redes sociais em debate
Em conferência, estudiosos condenam tentativas de controlar a internet.

O poder de mobilização das redes sociais, comprovado nas recentes revoltas no mundo árabe e nos distúrbios sociais na Grã Bretanha, suscita um debate mundial sobre se é legítimo estabelecer limites ao uso da internet.

Desafiados a discutir sobre o tema, parlamentares, jornalistas e especialistas concluíram ontem, no Congresso, que qualquer dose de censura é uma ameaça à liberdade de expressão.

Organizada pelo Instituto Palavra Aberta e pela Câmara, a VI Conferência Legislativa sobre Liberdade de Expressão analisou as ameaças do primeiro-ministro britânico, David Cameron, de controlar as redes sociais. Acossado pela onda de saques, ele argumentou que a liberdade de informação era importante, mas poderia ser usada para o bem ou para o mal.

Na lente dos especialistas, no entanto, medidas governamentais para cercear a comunicação digital equivalem às ações de ditadores. às vésperas de ser removido do poder, o ex-presidente do Egito Hosni Mubarak cortou o acesso dos egípcios à internet para tentar evitar a articulação de novos protestos contra seu governo.

– A defesa deste direito fundamental tem de ser absoluta, seja na internet ou no mundo real – enfatizou Emmanuel Publio Dias, vice-presidente corporativo da ESPM.

Um dos palestrantes, o ex-deputado Fernando Gabeira destacou que, apesar do terror suscitado na Noruega por um atentado duplo que matou 77 pessoas, as autoridades se recusaram a imprimir censuras a blogs de extrema direita que teriam influenciado o atirador. Para Gabeira, mesmo distantes, as eventuais restrições do premier britânico se refletiriam no Brasil.

– Quantos brasileiros vivem na Inglaterra e seriam atingidos pelas regras de censura? – ponderou.

Uma das parlamentares com maior inserção nas redes sociais, Manuela D’ávila (PC do B-RS) afirmou que cabe ao Estado garantir as liberdades de expressão, sem recorrer à censura.

– Temos homens analógicos que dirigem uma sociedade digital. O cidadão vive uma realidade que o Estado não consegue acompanhar .

Questionado sobre as recorrentes críticas de parlamentares à atuação da imprensa, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), enfatizou que “nem todo mundo é obrigado a concordar com aquilo que sai na imprensa”:

– O fato de deputados e senadores questionarem posições veiculadas pela imprensa é bom, da mesma forma que é positivo a imprensa interpelar a atividade parlamentar. O importante é que tudo se dê em um clima de debate e de discussão política.

 

SIP condena censura

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condenou, ontem, a decisão da Justiça da Venezuela de proibir a publicação e a distribuição do semanário Sexto Poder. A entidade pede a liberação da diretora da publicação, Dinorá Girón.

Ela foi detida no domingo, porque o semanário publicou montagem, em tom de sátira, em que mulheres que ocupam altos cargos aparecem como dançarinas de um cabaré.

De acordo com o presidente da SIP, Gonzalo Marroquín, barrar a distribuição de um meio de comunicação é um abuso de poder que restringe o direito à informação.


Fonte: Diário Catarinense


COMPARTILHE:

Rádio Porto Feliz - AM 1530
Avenida Porto Feliz, 188 - Centro - Mondaí - SC
Ligue para nós: (49) 36740122

Este site também pode ser acessado via Smartphone/Tablet. Mais mobilidade para você.