Quarta-feira, 16 de Setembro de 2020 - 07h16 - Atualizado em: Quarta-feira, 16 de Setembro de 2020
​Comissão da Alesc aprova relatório de impeachment contra Moisés e Daniela
Ex-secretário de Estado da Administração, Jorge Tasca, foi excluído do processo de impedimento
Foto: Alesc / ND

A Comissão Especial da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), aprovou por unanimidade o relatório que analisou o pedido de impeachment contra o governador Carlos Moisés da Silva (PSL) e a vice Daniela Reinehr (sem partido).

A votação ocorreu nesta terça-feira (15).

Com a admissibilidade, o texto seguirá agora para votação em plenário, onde os 40 deputados decidirão pelo afastamento ou não de Moisés e Daniela.

O até então secretário de Estado da Administração, Jorge Eduardo Tasca, que também era denunciado no relatório, foi excluído do processo de impedimento.

Ele pediu exoneração do cargo na segunda-feira (14).

O relatório começou a ser discutido por volta das 09h30min.

Após quase três horas de sessão, perto do meio-dia, o relator do texto, Luiz Fernando Vampiro (MDB), leu seu parecer e recomendou o afastamento do governador e da vice-governadora.

“Fica autorizada a instauração de processo por crime de responsabilidade contra a senhora vice governadora Daniela Reinehr […] e fica autorizada a instauração do processo por crime de responsabilidade contra o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva”, disse Vampiro após ler seu relatório final.

Exclusão de Tasca

Logo no início, o presidente da comissão, deputado João Amin (PP), apresentou uma petição feita pela defesa do ex-secretário de Administração que pedia a saída dele o processo.

Uma cópia do Diário Oficial do Estado, com a confirmação da sua saída, também foi enviada à Alesc.

Amin falou sobre a exclusão de Tasca do texto, que foi confirmada pelo relator Vampiro.

“O secretário Tasca passa a não mais fazer parte do pedido de impeachment e isso vai ter que ter parte no relatório final”, disse Amin.

Crime de responsabilidade

Jessé Lopes (PSL) foi o responsável por ler a denúncia e apresentar a síntese das defesas. O relatório, baseado no pedido de impedimento feito pelo defensor público Ralf Zimmer Junior, contém 67 páginas e foi lido na sessão.

O texto considera que houve crime de responsabilidade ao conceder reajuste salarial aos procuradores do Estado sem autorização legislativa e por meio de procedimento administrativo sigiloso.

O governador, porém, afirma que em outubro de 2019 cumpriu apenas uma decisão judicial. Marcos Probst, que faz a defesa de Moisés, esteve na Alesc e negou que o chefe do Executivo tenha cometido os crimes descritos na denúncia.

A defesa de Daniela, produzida pela advogada Ana Cristina Blasi, alegou a não existência de ato doloso por parte da vice-governadora. A defensora pediu a palavra na sessão desta terça e solicitou a impugnação do relatório.

Próximos passos

A admissibilidade do texto produziu o PDL (Projeto de Decreto Legislativo) que será publicado no Diário Oficial da casa.

Em até 48 horas após essa publicação, o pedido de impeachment será votado em sessão, o que deve acontecer na quinta-feira (17).

Dos 40 deputados, são necessários que ao menos 27 votem a favor do afastamento para que o impeachment prossiga.

Se aprovado, a Alesc forma uma comissão Mista com parlamentares e desembargadores do Tribunal de Justiça, que julgará o pedido de impeachment.

Se a saída de Moisés e Daniela for confirmada, Júlio Garcia deverá assumir o comando do Estado.

Denunciado na Operação Alcatraz por lavagem de dinheiro, o presidente da Alesc passará a conduzir o governo em plena crise causada pela pandemia do coronavírus.


Fonte: ND Mais


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