Quarta-feira, 06 de Novembro de 2019 - 14h39 - Atualizado em: Quarta-feira, 06 de Novembro de 2019
​MP aponta mais de 200 casos de estelionato na gestão de Piffero no Inter
Investigação indicou ainda que R$ 13 milhões foram desviados do clube
Foto: Ministério Público / Divulgação / CP

A primeira fase da Operação Rebote, deflagrada para investigar supostas irregularidades na gestão de Vitorio Piffero à frente do Inter, foi concluída nesta quarta-feira com o detalhamento do Ministério Público (MP) sobre os denunciados pelos crimes.

Piffero foi definido pelos procuradores como um presidente atuante e que teria papel decisivo na série de ilegalidades cometidas durante a sua administração.

O ex-mandatário do clube foi denunciado pelos crimes de estelionato e organização criminosa.

O MP também teria encontrado crimes de lavagem de dinheiro, com a dissimulação de recursos para que voltassem para alguns ex-dirigentes.

A ideia seria mascarar o caminho do dinheiro.

Os investigadores do Ministério Público reiteraram que as investigações seguirão e terão novos desdobramentos. Nesta quarta, foram apresentados alguns dados referentes ao núcleo de futebol da chamada "organização criminosa".

Delitos relacionados às áreas de administração e jurídica serão posteriormente explanados pelo órgão com a continuidade das apurações.

Segundo informações do MP na entrevista coletiva desta quarta, o dano patrimonial ao Inter foi estabelecido até o momento em pelo menos R$ 13 milhões.

Na parte de futebol, seria em torno de R$ 150 mil, montante que seria oriundo de crimes de estelionato.

O promotor de Justiça Flávio Duarte relatou que, em dado momento, o clube acabava contratando atletas não mais por critério técnico, mas de acordo com a relação com empresários.

Duarte explicou ainda que o grupo de dirigentes teria feito irregularidades para justificar o pagamento de um pai de santo.

"Foi alegado um valor destinado a um pai de santo. Não há notas para este tipo de serviço, mas o que fizeram foi a simulação de uma despesa relacionada a obras para justificar a quitação destes recursos", contou o promotor do Ministério Público.

Indução ao erro

Além de Vitorio Piffero, foram denunciados pelo Ministério Público Pedro Affatato, Emídio Marques Ferreira e Carlos Eduardo Marques, todos na condição de dirigentes do Inter.

Conforme o MP, o grupo teria obtido para si os R$ 13 milhões, causando prejuízo ao clube. O valor teria sido adquirido depois que funcionários da administração do clube foram induzidos a erro, atestando obras que não ocorreram.

Os integrantes do MP relataram que os dirigentes teriam usado artifícios administrativos e contábeis, entre eles a apresentação de notas fiscais e documentos fraudulentos.

A denúncia do MP aponta que as fraudes teriam ocorrido em dois momentos, entre 2015 e 2016.

O então vice de finanças, Pedro Affatato, com a suposta autorização de Piffero, teria realizado 145 saques diretamente da tesouraria do clube no valor total de R$ 9,6 milhões.

A alegação usada à época seria de que os valores seriam usados para o pagamento de obras e prestações de serviços relacionadas à vice-presidência de Patrimônio, administrada por Emídio Marques Ferreira.

Em outro momento, de acordo com o MP, Affatato e os outros denunciados teriam inserido informações e dados falsos em notas fiscais emitidas por empresas das quais seriam responsáveis.

Nos documentos, ele teriam descrito serviços relacionados à construção civil que não ocorreram. Segundo o MP, algumas dessas companhias não teriam nem condições de prestar os trabalhos orçados.

Apesar disso, as obras teriam sido efetivadas pela vice-presidência de Patrimônio. Mais tarde, as notas fraudadas teriam sido apresentadas na prestação de contas e a tesouraria do Inter, induzida ao erro, validou os valores sacados.


Fonte: Correio do Povo


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