A manchete de um jornal de Brasília me chamou a atenção na semana passada: “Mesa Diretora do Senado aprova fim do 14º e do 15º salários de senadores e deputados”. A decisão me surpreendeu, pois isso é, pelo menos para mim, algo inédito e que de certa forma dá um pouco de moralidade para a Câmara e para o Senado Federal.
Difícil vermos uma decisão onde, principalmente nos órgãos públicos, se abra mão de regalias, salários ou ganhos extras. Tal decisão demonstra que no Brasil nem tudo está perdido. Esse é um mero exemplo, que demonstra que se os “representantes do povo” querem, podem sim melhorar a imagem que temos da política.
Vejo como um pequeno, mas importante passo, e que abre portas para que outros “benefícios” ou “regalias”, de certa forma exagerados e desnecessários sejam revistos. Para um povo que tem um salário mínimo de pouco mais de R$ 600,00 por mês, isso representa um alento e uma luz no fim do túnel.
Quem sabe possamos, desta forma, ter representantes populares na esfera estadual e federal mais responsáveis e preocupados com nosso dinheiro, evitando desperdícios. Para quem já ganha um salário “gordo”, por que aumentar ainda mais seus rendimentos, se o povão em geral precisa lutar e muito para conseguir o sustento do dia-a-dia.
O texto a que me refiro é o seguinte:
Brasília - A Mesa Diretora do Senado aprovou o projeto de decreto legislativo que extingue o pagamento de 14º e 15º salários para senadores. A decisão, que já foi aprovada também na Comissão de Assuntos Econômicos, ainda passará por votação no plenário da Casa.
Segundo a presidenta em exercício do Senado, Marta Suplicy (PT-SP), os benefícios eram pagos desde que o Senado foi criado, e se justificavam quando havia dificuldade e gastos maiores com o transporte e a instalação dos deputados e senadores e suas famílias no Rio de Janeiro. Agora, por unanimidade, os membros da Mesa entenderam que não faz mais sentido manter o pagamento. “Isso mostra um movimento de austeridade por parte do Senado”, disse.
Marta conversou sobre o assunto com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que está licenciado do trabalho para cuidar da saúde. Segundo a senadora paulista, o presidente apoiou a decisão e concordou que o decreto seja colocado em votação no plenário o quanto antes. “Eu consultei o presidente Sarney, sobre o que ele achava de colocar em votação agora, e ele incentivou”, declarou.
De acordo com a proposta os senadores e deputados passarão a receber o 14º e o 15º salários apenas no primeiro e no último ano do mandato, e não mais a cada ano.
Evandro Maraschin.