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fev
03

Vergonha do próximo

 

Roubar, furtar, assaltar, se apropriar de algo que não é seu, é crime e causa revolta em qualquer situação. Mas em casos extremos ou de tragédias é mais repugnante ainda. Sinto vergonha pelas pessoas que em situações tristes e comoventes como a que ocorreu na semana passada no Rio de Janeiro, com o desabamento de três prédios, ainda conseguem se apropriar de objetos das vítimas.

E não é a primeira vez. Nas enchentes ocorridas em 2008 no vale do Itajaí em SC, pessoas foram flagradas levando doações que eram destinadas aos desalojados e desabrigados. Nas enchentes e desmoronamentos ocorridos em janeiro de 2011, também no Estado carioca, o governo foi ladrão da vez. Há sérios indícios e provas de que o dinheiro foi desviado ao invés de ser utilizado para obras de reconstrução.

O pior de tudo é que nesses casos não são bandidos que agem, são pessoas ditas de bem, trabalhadores, voluntários, políticos. Se fossem marginais isso não nos espantaria tanto. Essas pessoas conseguem agir de uma maneira totalmente sem caráter num momento de dor. São piores do que os bandidos. A esses uma boa dose de vergonha na cara faria bem!

 

Aline Carbonera