É impressionante como pessoas com menos de 30 anos, as quais considero jovens, tem (em sua maioria) certa aversão à política. Em um pequeno bate-papo com amigos nesta faixa etária, eis que pergunto: – Quem de vocês estão dispostos à se candidatar a um cargo eletivo em 2012?
A resposta é unânime… Ninguém.
Pergunto o porquê e recebo de resposta vários motivos, porém variação do mesmo tema, o descrédito da política. A falta de confiança nos líderes políticos. Mas de onde vem tanto desprezo e falta de interesse? Talvez a história nos ajude a explicar.
Pessoas nesta faixa etária cresceram em momentos políticos muito controversos. Nascidos na década de 80, considerando que começam a entender algo mais específico por volta de 10 anos de idade, temos a década de 90. Bom, uma pesquisa breve e veremos verdadeiras revoluções políticas. Por alguns fora chamada de década da pobreza.
Da wikipedia:
Os anos 90 começaram com instabilidade, com o confisco de poupanças do presidente Fernando Collor. Os negócios escusos de Collor mais tarde levariam milhares de jovens (mobilizados por uma forte campanha de mídia) a criarem o movimento “Caras Pintadas” e pedirem seu impeachment.
No governo seguinte (Itamar Franco), o país experimentou estabilidade econômica e crescimento com o Plano Real (1994), que igualava a paridade da moeda e do dólar por meio de uma banda cambial. O Ministro da Fazenda que implementou o Real, Fernando Henrique Cardoso, se elegeria presidente por duas vezes seguidas naquela década, ganhando sua reeleição após mudar a Constituição.
Os caras pintadas foram, na minha opinião, a última vez que uma manifestação jovem forçou alguma decisão política. De lá pra cá é bem verdade que o nosso querido Brasil iniciou uma marcha de mudança, se desenvolvendo e consolidando mundialmente. Se olharmos para traz, da década de 90 pra cá, o desenvolvimento da nação é notório. Os dados comprovam que a pobreza diminui, a condição social melhora. Está bom? Claro que não. Estamos longe do ideal.
Eis que, considerando que temos uma boa “maré” nos empurrando, porque nossos jovens fogem da briga política e temem assumir as rédeas? Seria porque esta geração cresceu em meio a impeachment, mensalão, dólar na cueca, enriquecimento ilícito e tantas outras falcatruas e desmandos políticos?
Talvez.
Outro dia, conversando informalmente com uma pessoa influente na política de Mondaí, detentor do título de ex-prefeito deste município, indaguei-o sobre este assunto. A resposta foi: – Sinceramente não sei se é porque não aprendemos a formar líderes ou se tememos sua real capacidade, mas a verdade é que está mais do que na hora dos jovens buscarem seu espaço.
Creio que esta pode ser uma grande verdade. Estaria na hora de buscar uma formação de lideranças, ou será que às temos guardadas em uma caixinha, intactas, como se fosse um doce que guardamos para o recreio e que não queremos dividir?
Tomara que o nosso doce não estrague antes do recreio!
Um Abraço! Comentem à vontade.
Matheus Gustavo Imhoff